É necessário chamar atenção para a importância dos fatores psicológicos e da relação mãe/filho na etiologia da obesidade. Pode ter início em qualquer época da vida, especialmente nos períodos de aceleração do crescimento.
Na infância, alguns fatores são determinantes para o estabelecimento da obesidade: desmame precoce e introdução inadequada de alimentos de desmame, emprego de fórmulas lácteas inadequadamente preparadas, distúrbios do comportamento alimentar, inadequada relação familiar e vínculo mãe/filho comprometido.
Serão abordados, com maiores detalhes, no ícone específico, outros aspectos do vínculo mãe/filho relacionados à etiologia da obesidade.
No adolescente, somam-se à questão nutricional, todas as mudanças inerentes ao período de transição para a idade adulta, a baixa auto-estima, o sedentarismo, os lanches em excesso mal-balanceados e a enorme susceptibilidade à propaganda consumista. Desta forma, o jovem é conduzido a não pensar em suas escolhas pessoais, incluindo aquelas relacionadas à forma, quantidade e qualidade da ingesta alimentar.
A erotização excessiva veiculada pelos diversos meios de comunicação pelos quais somos bombardeados a todo instante, estando dispostos a isto ou não, valorizam muitíssimo o corpo magro e, às vezes esquálido, como única forma de expressão de beleza ou sensualidade.
Este modo de “esvaziar” o ser humano de valores mais consistentes e de afastá-lo de suas questões emocionais mais profundas, obriga-o à satisfação imediata de toda forma de libido, situação propícia para que se confunda ainda mais fome e desejo. É importante lembrar que não há aqui, a defesa pelo “corpo gordinho”, mas o encontro privilegiado entre o corpo e as emoções em equilíbrio.
Desta forma, já que se torna insuportável sustentar-se internamente, o obeso é presa fácil de exploradores que lhe prometem a fórmula mágica do emagrecimento sem esforço. Vítima e algoz de sua própria “estória”, o processo de “ganhar” o peso adequado, e suportar a insustentável sensação de ficar mais leve, com coragem, determinação e tolerância é tão difícil quanto a possibilidade de se confrontar consigo mesmo e se auto-administrar de forma estável. O grau desta dificuldade delata as reais chances de sucesso.
A obesidade, muitas vezes, é detectada tardiamente. Ainda hoje, existem defensores da imagem do bebê gordinho como a imagem de saúde e beleza e sendo assim, têm-se a impressão de que a mãe lhe cuida muito bem.
Não que esta necessariamente não lhe tenha amor, ou cuide mal, mas a superalimentação tem mais a ver com uma questão materna particular, de sentir-se “boa mãe” e aceita pela criança, do que com a preocupação com a saúde e/ou educação nutricional e emocional do filho.
Em contrapartida, é possível que em determinadas famílias, alguns membros sejam contra a mãe que tenta, em vão, controlar a ingestão excessiva de alimentos da criança.
Mais tarde, preconceitos da população em geral são comuns: o obeso é perseguido e marginalizado, afastando-se do convívio social e esportivo, agravando o processo. Há que se ressaltar que muitos pacientes pediátricos só são encaminhados para consulta por apresentarem um “pênis pequeno”.
Esta queixa é freqüente em crianças e adolescentes obesos e é referente à situação em que o genital masculino esconde-se sob um coxim adiposo pubiano. É ótima ocasião para iniciar terapia e mudança de hábitos alimentares, após reassegurar que o pênis tem tamanho normal.
Desta forma, para compreensão do ser humano, sem fragmentá-lo em órgãos, tecidos ou doenças, é fundamental um diálogo permanente entre mente e corpo e sua condição biopsicossocial o que permite fazer correlações com o estar doente observando toda a história do indivíduo e não da doença somente.
Assim, é de extrema importância lembrar da influência que o funcionamento orgânico exerce no aparelho psíquico e da importância do psiquismo para o bom funcionamento do organismo.
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