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C.V. Etiologia Prevalência Doenças Associadas Vênus de Willendorf Contato
V Ê N U S     D E     W I L L E N D O R F




Figura mais conhecida do paleolítico superior. Notar as formas avantajadas, o destaque dado aos atributos sexuais e a ausência de traços faciais. Viena, Naturhistorisches Museum.



Ao contrário do que pode parecer, a obesidade é uma condição que sempre acompanhou a humanidade. Durante anos e anos, nas sociedades antigas, babilônicas, gregas e romanas, o sucesso econômico estava associado ao aumento de gordura.

Realizar imensas orgias alimentares era uma característica inerente de quem estivesse no poder. Na Grécia Clássica, assim como na Idade Média e no Renascimento Europeu, o padrão estético feminino privilegiava as mulheres roliças e matronais, ao mesmo tempo em que eram consideradas sensuais.

Esta condição nutricional pôde ser observada já no período pré-histórico, há 25000 anos, em uma estatueta feminina, obesa, conhecida como a Vênus de Willendorf. Acredita-se que ela representava símbolos de fertilidade e maternidade.

Se pudermos observá-la atentamente, veremos que ela poderia representar qualquer mulher, em qualquer época da história; a feminilidade, a sexualidade, exatamente por não ter nenhuma peculiaridade ou traço que a identifique como um indivíduo único e, também, por ser quase uma caricatura das qualidades sexuais da mulher.

Aproveitando o exemplo da Vênus é interessante ressaltar que o sentimento de ser mulher não se dá por artifícios do tipo “unhas”, “saltos” “cabelos” e “batons” (entre outros), embora estes possam nos enfeitar ainda mais.

É possível levantar a hipótese de que estes atributos em exagero, na verdade tomam o lugar do sentimento real, que, no caso, pode não existir. Portanto, algo tem que ocupar este espaço para que fique caracterizado, para si e para os outros, que ali tem “uma mulher”.

Por dentro, pouco ou nada deste sentimento é vivenciado realmente. Não é uma condição emocional que, quando autêntica, se dê de fora para dentro. É sim, desde a gestação, aprendida, apreendida, quando, não só a menina, mas também o menino, vão aos poucos se apoderando de sua identidade, sexualidade, auto-imagem, entre outros fatores importantes.

Voltando à obesidade, na Grécia antiga, Hipócrates a identificou como uma condição doentia e escreveu: “a morte súbita é mais comum nos indivíduos naturalmente gordos do que nos magros”.

A seguir, seu discípulo Galeno, cujos livros influenciaram a medicina por 1300 anos, indicou a obesidade como uma falta de disciplina do indivíduo. No século XVIII foram apresentadas várias teses de doutorado sobre obesidade, denunciando maior preocupação com o problema.

Em 1863, antecipando um mercado de grande valor comercial, foi escrito o primeiro livro popular de dietas, no qual o autor, Banting, transmitiu o testemunho de como havia perdido peso, demonstrando, nesse trabalho, compaixão por quem apresentava o problema.

Ainda nesse mesmo século, foram identificadas as células de gordura quando se sugeriu a possibilidade de que a obesidade poderia ser devido à quantidade dessas células. Foi proposta e testada a idéia de que a obesidade seria um desarranjo metabólico.

Apareceram, também nessa época, os primeiros padrões de medida de peso corporal e as hipóteses de que fatores familiares poderiam estar envolvidos no desenvolvimento da obesidade. No século atual, esses temas foram expandidos e outros surgiram, sendo que, atualmente, o conceito mais difundido é o de que a obesidade é uma síndrome com várias etiologias.





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