Os vínculos que somos capazes de ir fazendo ao longo da vida, são, em
essência, tudo que temos...
Cuidar dos relacionamentos mais antigos - aqueles que nos fazem bem e
nos mostram que vale a pena mantê-los - zelar pelos novos e dar mais vida
a eles a cada dia, é o melhor jeito de aquecer o coração e de mostrar a quem
amamos que não estão sozinhos e que o mundo pode ser melhor.
Uma das formas por meio da qual pude melhorar o "meu mundo" foi que, ainda
pequena, apaixonei-me profundamente pela música e decidi aprender a tocar
violão. Sabia que não era um amor passageiro. Sabia que era um compromisso
pessoal que me acompanharia por muitos e muitos anos, me trazendo inúmeras
experiências, sofrimentos, alegrias, amizades, amores, paixões.
Portanto,
aos 8 anos comecei a aprender e aos 12, a dar aulas. Com o tempo, fui me
tornando uma especialista e minhas aulas foram ficando de tal forma
interessantes e profundas que ficaram mescladas com algo assim, como
terapia. Era mesmo lindo.
Eram minha mente, minha alma e todo meu coração que eu disponibilizava
aos meus alunos... Com alguns deles fiz fortes ligações que ainda
permanecem. E por meio da música ganhei amigos que me dão o privilégio de
acompanhar - ainda atualmente - seu sucesso e desenvolvimento pessoal e
profissional.
Além destes e dos profundos vínculos familiares tenho três grandes amigas.
Guardamos a pureza e a simplicidade que, em sã consciência, nenhum ser
humano deveria deixar de ter. Ríamos de tudo e, sobretudo de nós mesmas.
Ainda hoje é assim.
E por falar em fortes vínculos, na apresentação do livro "Obesidade
infantil: aspectos emocionais e vínculo mãe/filho" são citadas outras duas
maravilhosas amigas e um pouco desta relação. Também cito Prof. Dr. Fernando
José de Nóbrega, a quem admiro profundamente.
Sei que todos nós, que temos a sorte de conviver com ele, temos aprendido
demais e nos sentimos iluminados com suas experiências, seu bom humor e sua
determinação. Seu temperamento forte e seu jeito carinhoso e de nos tratar
mais parece uma forma de nos colocar sempre de frente com nossas questões
íntimas e pessoais, de forma que vamos sendo, gradualmente, capacitados a
checá-las e atualizá-las permanentemente.
Ele é muito firme, sim. E comigo
sempre foi afetivamente firme. Qualidades raras de serem encontradas em uma
só pessoa - o que faz dele um professor e uma pessoa ainda mais especial.
Muitas vezes ele é bem efusivo em suas colocações. Aliás, para que seja
coerente com seu modo de ser faz sentido que ele seja assim: apaixonado e
completamente envolvido com seu trabalho.
Uma das coisas que mais admiro
nele é que, como diria Winnicott, ele naturalmente propicia em nossas discussões
um ambiente suficientemente bom e facilitador para nossas idéias. Gostaria de salientar
sua criatividade e seu raro talento, não só para o meio acadêmico mas para
as relações. Esta é minha experiência com ele e minha visão sobre ela.
Nunca esquecerei seu apoio em momentos difíceis, literalmente vitais pra
mim. Meu desejo é que este relacionamento nunca se acabe, pois tenho muito a
aprender com ele e ainda mais para multiplicar...
Professor Nóbrega, como lhe chamo, meu queridíssimo professor, é quem,
verdadeiramente, pôde perceber a importância "da gente se ligar" a outras
pessoas e iniciou há muito tempo, o trabalho com vínculo mãe/filho - relação
tão importante e decisiva em nossas escolhas de vida. Também é certo e
reconhecido que ele sempre gostou de Psicanálise, portanto, um médico
admirável e singular.
O trabalho com o vínculo certamente não acaba aqui mas inicia-se a cada dia
- sempre que cada um de nós estiver sintonizado no outro, importando-se com
ele e fazendo o seu melhor.
Desejo a você, que acessou este site, boa viagem neste percurso único e
especial chamado Vida. E se precisar de meus cuidados, sabe onde me encontrar.
Com carinho,
Patricia V. Spada
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